Trabalhadores fecharam porto em Guayaramerín e estão acampados desde o dia 14 de maio. Produtos básicos estão em falta na cidade e há fome, dizem grevistas.
Os produtos brasileiros oriundos de exportação ou do comércio transfronteiriço não estão entrando em território boliviano há quase um mês na fronteira entre Guajará-Mirim (RO) e Guayaramerín (Bolívia), a cerca de 330 quilômetros de Porto Velho.
O motivo do impedimento é uma manifestação de barqueiros de duas associações do país vizinho, que alegam serem diretamente prejudicados após a vigoração do Decreto 99704/1990, que regulamenta o canal de exportações entre os dois países, especificamente na fronteira das duas cidades.
Revoltados com a nova medida, que foi firmada em 1990, mas só entrou em vigor 28 anos depois, os trabalhadores resolveram fechar o porto boliviano e estão acampados no local desde o último dia 14 de maio, quando a Lei começou a valer.
Segundo a liderança do movimento, pelo menos 70 embarcações e 1,5 mil trabalhadores estão paralisados e só vão liberar o porto quando tiverem um posicionamento favorável dos governos do Brasil e Bolívia em relação ao caso.
Os grevistas afirmam que produtos básicos estão em falta e muitas famílias já passam fome no município, que tem aproximadamente 42 mil habitantes. Os principais itens de consumo são o arroz, feijão, macarrão, açúcar, frango, carne, óleo e azeite, entre outros.
Ao G1 nesta terça-feira (5), o cônsul da Bolívia em Guajará-Mirim, Alexander Guzmán, explicou que nesta semana haverá uma reunião em La Paz com autoridades do governo boliviano para abordar a questão.
"A situação é grave e será discutida. O povo está sofrendo há 25 dias, desabastecido. Não seria justo que paguemos impostos ao Brasil e a Bolívia pelo mesmo produto e que o povo seja prejudicado. Nos interessa a dimuição da taxa. A cidade de Riberalta também é afetada, porque era abastecida com os produtos", declarou o diplomata.
O que querem os manifestantes bolivianos
Uma das líderes do movimento, Eliza Mapaquine, disse em entrevista ao G1 que a classe reivindica que os produtos brasileiros de até 2 mil dólares venham com nota de exportação e descontos nas taxas, para que os preços fiscais na aduana boliviana sejam menores.
Para os grevistas bolivianos, a medida prejudica o setor de barqueiros, conhecidos na região como "Pec-Pecs", já que eles sobrevivem exclusivamente da economia gerada pelo comércio da região.
"No momento temos que pagar duas taxas, uma no Brasil e outra aqui, dependendo do produto que é vendido. Queremos que a mercadoria venha com o certificado de origem, assim pagaríamos um imposto menor na Bolívia. Essa medida nos fere e afeta a todo um povo, ninguém sairá daqui até que nos deem uma solução. A solução é nos deixarem trabalhar com a mínima quantia de mil dólares de importação, isso que queremos", diz.
Outra manifestante é Angelica Mapaquine, que afirma ser este o pior momento da economia da cidade em toda a história.



