Nos dias que antecederam o carnaval, o desfile foi alvo de pelo menos dez ações na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). Partidos e parlamentares da oposição argumentaram que o enredo era uma propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula.
Na última quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou uma liminar que pedia a proibição do desfile, mas os ministros alertaram que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral.
Depois desse alerta, o governo recomendou às autoridades que evitassem qualquer manifestação que caracterizasse propaganda eleitoral.
Havia uma previsão de que a primeira-dama, Janja da Silva, desfilasse em um dos carros alegóricos. No entanto, ela ficou no camarote ao lado de Lula. Em nota, Janja afirmou que tomou a decisão apesar de haver "segurança jurídica para isso", e para evitar "possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula."
Nesta segunda (16), após o desfile, o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente.
Segundo o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, "houve propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público".
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| Carro alegórico da Acadêmicos de Niterói no primeiro dia de desfiles do grupo especial do Rio — Foto: Leo Franco / AgNews |
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, criticou o petista e também disse que vai entrar com uma ação "contra os crimes do PT na Sapucaí".
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão do TSE de não impedir o desfile e afirmou que vai entrar com uma ação de improbidade administrativa no Ministério Público. "E já deixo registrado: se houver registro de candidatura de Lula para presidente, ingressarei com AIJE [ação na Justiça Eleitoral] por abuso de poder político e econômico”, disse o parlamentar.
Em nota, o deputado federal Zucco (PL‑RS) afirmou que o carnaval “não é palanque” e defendeu apuração sobre possível abuso político, uso de recursos públicos e desrespeito à liberdade religiosa, citando alegorias que, segundo ele, ridicularizaram adversários e valores cristãos.
"A oposição não se furtará ao seu papel constitucional de fiscalização e controle. Serão analisadas, com responsabilidade jurídica, medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, incluindo a Justiça Eleitoral e demais instâncias de controle", disse.
Homenagem a Lula e menções a Bolsonaro
A Acadêmicos de Niterói contou a história do presidente Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, até a Presidência da República.
A comissão de frente levou para a Sapucaí uma representação da rampa do Palácio do Planalto, lembrando a última posse de Lula, ao lado de integrantes da sociedade civil. Atores e bailarinos também representaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas representou a região onde o presidente Lula nasceu: o agreste pernambucano, com uma mistura de exuberância e escassez. Em um dos carros, a escola trouxe uma crítica às políticas sociais da época do governo Bolsonaro e à forma como ele enfrentou a pandemia. Na parte traseira, o carnavalesco fez uma referência à prisão do ex-presidente.
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| Acadêmicos de Niterói contou a história de Lula e fez representação do ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução/TV Globo |
Em um post nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reproduziu a imagem do carro alegórico que fazia referência ao ex-presidente e disse: "Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião".
O senador Sergio Moro (União‑PR) disse que houve "abuso de poder" e disse que o desfile trouxe cenas de regimes autoritários.
Após o desfile, Lula publicou uma mensagem nas redes sociais sobre sua participação no carnaval no Rio, no Recife e em Salvador.
"Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção", escreveu.
O presidente desceu do camarote para cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói. Ao longo da noite, repetiu o gesto com integrantes de outras escolas.
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| O presidente Lula viu o desfile ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no camarote da prefeitura — Foto: João Salles/Riotur |
Família em conserva
Parlamentares de oposição também criticaram a ala do desfile chamada de "Neoconservadores em Conserva", que apresentou fantasias de pessoas vestidas de lata com o rótulo que dizia "família em conserva" e a imagem de um casal hétero com duas crianças.
Pelas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse para os evangélicos lembrarem da fantasia quando forem votar.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) que a ala "ridicularizou a igreja evangélica".
"São latas de conserva, como se estivéssemos em conserva. Usar verba pública para ridicularizar a Igreja Evangélica é inadmissível. O governo Lula recebeu o roteiro do desfile. O governo Lula sabia cada ala que iria desfilar", afirmou
A presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, afirmou que o que foi apresentado era conhecido e "feriu milhões de brasileiros".
"A fé cristã foi exposta ao escárnio em nome da cultura travestida de politicagem".
Por Redação g1 — Brasília
Fonte: g1
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