Segundo o boletim de ocorrência registrado em fevereiro deste ano, em São Paulo, o valor foi liberado por meio de alvará judicial em janeiro de 2025, mas o jogador afirma que não foi informado.
Documentos obtidos pela equipe de reportagem mostram que os R$ 479.427,92 foram liberados em 28 de janeiro de 2025 e pagos em 30 de janeiro daquele ano. Um comprovante bancário de resgate indica que Marcelinho Carioca aparece como beneficiário do valor, mas o crédito foi feito em conta corrente de titularidade da advogada.
Em depoimento à polícia na última sexta-feira (17), o ex-jogador afirmou que havia encerrado formalmente o vínculo com a advogada em junho de 2024. Ainda assim, segundo ele, o valor foi movimentado meses depois sem seu conhecimento.
A descoberta, segundo ele, ocorreu de forma inesperada. Marcelinho contou que fazia uma live quando um usuário comentou sobre o andamento do processo envolvendo a massa falida das empresas “Fazendas Reunidas Boi Gordo”.
“Desconfiado, o declarante foi verificar o andamento de seu processo junto ao site do Tribunal, quando visualizou o pagamento dos valores feitos na conta de sua advogada constituída à época”, diz trecho do depoimento.
Após a consulta, ele entrou em contato com o homem que fez o comentário, que, segundo Marcelinho, confirmou que a advogada havia recebido integralmente os valores.
O ex-jogador afirma que não recebeu o dinheiro e que também não houve prestação de contas. Segundo ele, após o saque, não conseguiu mais contato com os responsáveis.
Ainda de acordo com o depoimento, a advogada teria feito posteriormente um depósito parcial do valor em juízo, “no afã de se eximir da responsabilidade”. A quantia não foi informada.
O caso foi registrado como apropriação indébita e evoluiu para inquérito policial.
Marcelinho diz que também protocolou uma representação contra a advogada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Por Maurício Ferraz, Paola Patriarca, TV Globo e g1 SP — São Paulo
Fonte: g1